Experiência negativa com atendimento veterinário em Manaus: um alerta!
- itala lima
- há 6 horas
- 9 min de leitura
Atualizado: há 1 hora
Este post relata uma das experiências mais dolorosas e tristes que vivenciei como tutora ao levar minha gata para um atendimento em uma clínica veterinária particular 24h, localizada no bairro Vieiralves, em Manaus. Espero que sirva de alerta para que outras pessoas não venham a chorar a partida do seu animalzinho da família, como aconteceu comigo. Infelizmente a minha gatinha não está mais neste plano, mas vou honrar sua memória dando voz ao que aconteceu.

Minha gatinha, chamada Corujinha Maraísa, sumiu por algumas horas. Após muita procura, encontrei-a embaixo de um carro estacionado na rua onde moro; estava quietinha e logo percebi que estava debilitada. Muito aflita, levei a Coruja a uma clínica 24h de grande porte, localizada no bairro Vieiralves (que inclusive oferece cursos técnicos). Confiei que ela receberia um atendimento de excelência.
Por volta das 6h30, quando cheguei ao local para atendimento de emergência, solicitaram internação e exames. A médica disse que era grave por conta dos parâmetros da gatinha, que não estavam normais. Passei algumas horas aguardando respostas do que poderia ter acontecido, muito preocupada com o estado dela. Saí sem um diagnóstico preciso do que poderia ser.
Por volta das 10h, a veterinária me enviou fotos indicando mordeduras no corpo da Corujinha Maraísa; segundo ela, provavelmente de cachorro. A gatinha apresentava alteração na pressão arterial desde a manhã, e a veterinária disse que poderia ser um quadro infeccioso da mordida e que aguardava os exames. Avisou que já tinham entrado com medicação e que uma cirurgia poderia ser necessária, mas que isso poderia ficar para outro momento. A médica informou que estava saindo do plantão e que outro profissional assumiria o caso.
No mesmo dia, às 16h, visitei a gatinha, e a plantonista da tarde afirmou que Corujinhal estava bem e que os resultados dos exames não apresentaram nenhum tipo de alteração. Fiquei mais aliviada e tranquila com a notícia, pois, assim que tinha encontrado a Corujinha, levei-a imediatamente para atendimento. Acreditei que, com os remédios e os procedimentos desses profissionais, ela se restabeleceria o mais breve possível.
Decepção ao ver minha gatinha em sofrimento
Mas, quando cheguei à baia para ver a Corujinha, a realidade foi outra, e deparei com uma cena muito triste: a Corujinha se lambia e arrancava os próprios pelos.
Fiquei muito preocupada e chateada com a situação, afinal de contas levei a minha gatinha pela manhã, bem cedo, para ter conforto; e, quando cheguei novamente de tarde, estava vendo-a em sofrimento. Perguntei sobre os curativos, e a médica respondeu que, se o felino permitisse, iriam realizar o procedimento. Gente, minha gata nunca foi brava, e estava visivelmente apática e debilitada. Enviei mensagem reclamando sobre o que vi e pedi que chegasse ao administrativo/gerência da clínica.
Depois, recebi fotos dela tricotomizada (com os pelinhos raspados no local das mordeduras). Foi aí que notei a gravidade real dos ferimentos e que provavelmente a Corujinha se lambia e arrancava os pelinhos por dor ou estresse. Daí a questão: se eu levo minha gata para receber assistência e conforto numa situação de dor, como podem deixar isso acontecer? Como uma clínica de grande porte, que inclusive forma novos profissionais, pode ignorar o evidente desconforto de um animal sob seus cuidados? E o porquê de tanta demora para realizar a tricotomia?
Falta de Comunicação entre a equipe e Acomodação Inadequada
Quando perguntei sobre a necessidade de uma possivel cirurgia, a médica da tarde ainda disse que desconhecia a situação, sinal de uma clara falta de comunicação entre as profissionais que trocaram de plantão.
Nessa clínica existe uma ala separada para felinos, mas a minha gata estava em uma parte misturada com outros animais, onde ocorria também um fluxo intenso de atendimento de novos pacientes. O site da empresa vende uma megaestrutura; fazem marketing no Instagram afirmando que o local tem ótimas estuturas e tecnologia de ponta, mas na prática trabalham de forma bem diferente! Aí a questão: então por que no marketing da empresa e site vendem que existe estrutura para felinos? Depois, quando questionei a gerência do local, afirmaram que ela não ficou na ala de felinos porque era mais fácil de monitorá-la com todos os animais juntos.
A Impressão que fica: Não Sabiam o que Estavam Fazendo

Naquele momento, como tutora, me senti insegura em deixá-la ali e tive a sensação de que eles não sabiam o que estavam fazendo. Sentia que havia algo estranho no ar; questionava, mas ao mesmo tempo sabia que eu não era médica veterinária; essa não é a minha formação. A gente como tutor precisa acreditar nos profissionais... esse misto de sentimento me levou a entrar em contato com outra clínica. Fiquei planejando em mudar de lugar meu animal...
Na terça-feira pela manhã, recebi seu boletim e a informação de que a pressão dela estava normal, mas que precisva continuar em observação. Mas, quando cheguei para buscá-la de tarde, fui informada de que a pressão havia desestabilizado novamente, apenas duas horas antes de eu chegar. Pedi que fossem honestos comigo sobre a situação da Corujinha. Perguntei se o estado dela era grave, e a médica da tarde informou que responderia mediante a realização de novos exames. Falei-lhe que fizesse o que fosse necessário.
Nesse dia, pedi novamente para visitar a Corujinha à noite, pois queria de todas as formas que ela ficasse bem. Pedi que me deixassem levar “picadinho”, já que a gatinha não estava se alimentando direito; só estava aceitando churu e patê que eu mesma levei; chegou a comer uma pequena quantidade de ração. A minha esperança era que o cheiro da comida a animasse, mas não permitiram que fosse vê-la novamente. Infelizmente não insisti e me arrependo de não ter persistido. Senti-me sem rumo e aflita; só fiz orar por ela e pedi que Deus fosse lá curar a minha gatinha.
Lembro de ter contado para minha irmã sobre tudo isso e para me tranquilizar, sem eu saber, ela foi à clínica de noite. Depois me enviou mensagem dizendo que havia conversado com a plantonista da noite, a qual afirmou que a Corujinha estava bem. Minha irmã falou que eu dormisse tranquila. E assim tentei.
O desfecho triste
Na noite de terça feira, recebi mensagem de que os exames haviam apresentado alteração e de que ela iria precisar tomar remédio para o fígado. Pedi mais uma vez que fossem honestos comigo sobre o real quadro da Corujinha. Naquele momento também mandei uma mensagem deixando claro que no outro dia levaria dali minha gata. Falei que ela estaria melhor em casa, sob meus cuidados, já que a clínica não me passava nenhuma evolução positiva ou informações claras sobre o que realmente estava acontecendo com a Corujinha.
Ao acordar pela manhã, vi uma mensagem: Corujinha entrou em emergência. Quando consegui falar com a veterinária, recebi uma das noticias mais tristes: a Corujinha tinha vindo a óbito. E daí vocês já imaginam como foi desesperador, como foi horrível esse dia. Tive uma crise de ansiedade e desespero. Foram dois dias nessa clínica, e ela morreu.
Falta de Empatia dos Profissionais
Quando cheguei à clínica, não houve uma palavra de conforto da veterinária que estava no momento do óbito da Corujinha. Ao questioná-la sobre o que teria levado o animal à parada cardíaca, essa veterinária da noite respondeu que “não estava com cabeça para me dar explicações”. Em outro momento, como se não bastasse o descaso técnico, ela ainda proferiu uma frase carregada de julgamento e de insensibilidade: “gato morre porque vai para rua”.
Meu caro leitor, o que acontece antes de um animal entrar em um hospital, seja ele de rua, de raça, de casa, seja de resgate, jamais anula a responsabilidade do médico veterinário de fazer o seu melhor enquanto o pet estiver sob o seu cuidado.
Quando eu quis entender o que aconteceu com a minha gatinha, em um dos momentos mais angustiantes, ouvi de outra médica dessa mesma clínica que “gatos mascaram a dor”. Gato mascara a dor... fato biológico conhecido por qualquer tutor ou estudante de veterinária, ora! Se o animal tem por instinto esconder o sofrimento, é justamente por isso que ele está nas mãos do médico veterinário, que deve investigar e desmascarar essa dor que o tutor comum não consegue desvendar, munido de tecnologia, exames e anos de estudo. Isso causou-me um espanto profundo. Se o animal mascara a dor, o veterinário deve ser seu intérprete; não um espectador passivo do seu agravamento. Usar o instinto de defesa do animal para explicar a falta de um diagnóstico preciso ou para a demora em agir me deixou com a impressão de que o local tem profissionais inexperientes, e isso é um inadmissivel para uma emergência veterinária.
Levei minha gata – a última lembrança física da minha mãe – em busca de socorro a um local que se diz “referência”. Saí de lá sem minha gata, sem respostas; apenas com uma frase segundo a qual é difícil prever a gravidade do que a mordida de cachorros faz dentro do organismo de um animal.
O que aprendi como tutora depois que a minha gatinha partiu: Isso não foi um caso isolado.
Para mim, a sensação é de que a Corujinha foi tratada apenas como um número nessa clínica, e não como uma vida importante para uma família, que entregou o seu bem tão precioso para ser atendida com amor e responsabilidade. Sempre penso: maldita hora em que levei minha gatinha para esse lugar! Se eu pudesse voltar no tempo... Mas eu não posso.
Acredito que a minha gatinha não morreu de assepsia (infecção generalizada), pois apresentava graves lesões em seu corpo, e acredito que essas lesões não foram investigadas adequadamente pelos profissionais que a atenderam.
Após o ocorrido, minha prioridade foi buscar a opinião de outros profissionais da área para entender se o desfecho poderia ter sido diferente. Consultei dois médicos veterinários distintos e, ao analisarem o quadro e a evolução do meu pet, entenderam que houve uma demora crítica no atendimento inicial. Segundo as avaliações que recebi, o protocolo seguido pela clínica em questão foi superficial, já que havia necessidade de uma investigação muito mais profunda.
Esse “tempo perdido” e a falta de investigação e de diagnóstico preciso podem ter sido determinantes para o agravamento da situação. Por questões éticas e para preservar os profissionais que gentilmente me orientaram, não citarei seus nomes, mas seus pareceres foram fundamentais para que eu compreendesse que o que vivi não foi um desfecho inevitável, mas sim uma falha de conduta.
Ao investigar o histórico do local em sites de defesa do consumidor, encontrei relatos recentes de apenas dois meses atrás que descrevem padrões de atendimento. Isso mostra que o que aconteceu comigo em Manaus não parece ter sido um caso isolado (vide IDTítulo: Negligência veterinária 19/01/2026, às 22:17, ID: 238188743- Reclame Aqui).

Eu não recomendo essa clínica a nenhum tutor e jamais voltaria a esse lugar. Por questões jurídicas, não citarei o nome da empresa aqui, mas, se você é de Manaus e está buscando referências, pode me enviar um e-mail ou mensagem privada, que eu respondo.
Exercício da veterinária com amor e responsabilidade
Por um momento fiquei descrente nos profissionais da saúde, porque muitas pessoas passaram por situações semelhantes: diagnósticos imprecisos, condutas desleixadas, falta de comunicação e informação. Mas logo entendi que existem profissionais de todas as espécies, aqueles maravilhosos, que exercem sua missão com tanta humanidade e responsabilidade e buscam não desistir de seus pacientes até o último minuto. São incansáveis; achismo não pode existir na área de saúde veterinária, especialmente em um ramo de emergência.
Muitos profissionais dizem que escolheram a veterinária por amor aos animais. Mas é preciso entender que amar não é o suficiente. Eu também amo os animais, e nem por isso posso operá-los. A medicina exige, antes de tudo, responsabilidade técnica e maturidade emocional. Não se escolhe uma profissão apenas pelo sentimento; escolhe-se pela capacidade de exercer o que ela exige, principalmente nos momentos de crise.
Que os profissionais da veterinária e os donos de clínicas em Manaus e em todo o país reflitam: vocês estão realmente preparados para estar na linha de frente de uma emergência? Ou estão apenas arriscando a vida de criaturas inocentes enquanto aprendem com o erro?
Por trás de cada paciente, de cada pet que entra em sua clínica, existe uma história, uma vida que não tem voz e uma família que confia o seu bem mais precioso às suas mãos.
Vínculo: a Corujinha era integrante da minha família

A Corujinha Maraísa não era apenas a minha gatinha; era da minha mãe, que faleceu de câncer há alguns anos. Após a partida dos meus pais, ela se tornou a lembrança viva mais preciosa que eu tinha na vida. Por isso, vê-la naquele estado nessa clínica me deixou em frangalhos. Ainda estou me recuperando dessa perda.
Filha de uma gatinha resgatada por minha mae, a Corujinha Maraísa nasceu em 2018 após um parto delicado de cesarea, . Ela era gemea da Maiara, que foi adotada e segue feliz em seu lar.

A Corujinha era leal e muito companheira. Quando a minha mãe já estava acamada e sem andar, a felina ficava o dia inteiro fazendo-lhe companhia no quarto. Eu sempre dizia: Olha, mãe, ela faz parte da decoração do quarto. Quando a minha mãe partiu, meu avô pediu que a Corujinha Maraísa morasse comigo, porque ela estava triste sem a mamãe; e só ficava dentro de casa quando eu estava por lá.
Lembro o dia em que ela veio conhecer sua nova casa; não demonstrou resistência e veio no carro sem miar como se já soubesse que teria um novo lar e viveria novas aventuras. Foram sete anos e alguns meses de muita alegria. Ela me consolou, foi minha companheira, e eu sempre dizia que eu a amava muito; que ela e a Safira, a outra gatinha da mamãe que veio morar comigo, eram as heranças mais valiosas do mundo e que isso me bastava. Ela estava sempre comigo; assistíamos a filmes juntas; e, sempre que eu cantava, ela ficava do meu ladinho; em todos os projetos artísticos a Corujinha estava no meio; nos ensaios de teatro, nas gravações de música... Ela sempre foi forte; só ficou doente uma vez nesses sete anos comigo. Depois aconteceu isso, e ela foi para Deus.
Agora tento me confortar pensando que, apesar de todo o sofrimento por que passamos e da tristeza que tenho sentido, a recompensa é esta: ela está junto da minha mãe; e um dia também estaremos todos juntos em família novamente.
O texto relata um fato da minha vida privada e está amparado pelo Código de Defesa do Consumidor, o qual assegura o direito à informação.
Comentários