A Corujinha Maraísa não era apenas a minha gatinha; era da minha mãe, que faleceu de câncer há alguns anos. Após a partida dos meus pais, ela se tornou a lembrança viva mais preciosa que eu tinha na vida. Por isso, vê-la naquele estado nessa clínica me deixou em frangalhos. Ainda estou me recuperando dessa perda. A Corujinha era leal e muito companheira. Quando a minha mãe já estava acamada e sem andar, a felina ficava o dia inteiro fazendo-lhe companhia no quarto. Eu sempre dizia: Olha, mãe, ela faz parte da decoração do quarto. Quando a minha mãe partiu, meu avô pediu que a Corujinha Maraísa morasse comigo, porque ela estava triste sem a mamãe; e só ficava dentro de casa quando eu estava por lá. Lembro o dia em que ela veio conhecer sua nova casa; não demonstrou resistência e veio no carro sem miar como se já soubesse que teria um novo lar e viveria novas aventuras. Foram sete anos e alguns meses de muita alegria. Ela me consolou, foi minha companheira, e eu sempre dizia que eu a amava muito; que ela e a Safira, a outra gatinha da mamãe que veio morar comigo, eram as heranças mais valiosas do mundo e que isso me bastava. Ela estava sempre comigo; assistíamos a filmes juntas; e, sempre que eu cantava, ela ficava do meu ladinho; em todos os projetos artísticos a Corujinha estava no meio; nos ensaios de teatro, nas gravações de música... Ela sempre foi forte; só ficou doente uma vez nesses sete anos comigo. Depois aconteceu isso, e ela foi para Deus. Agora tento me confortar pensando que, apesar de todo o sofrimento por que passamos e da tristeza que tenho sentido, a recompensa é esta: ela está junto da minha mãe; e um dia também estaremos todos juntos em família novamente.